
Nas últimas décadas, as práticas de planejamento de projetos evoluíram de forma impressionante.
Do tradicional método do caminho crítico, passamos pela corrente crítica / teoria das restrições e hoje chegamos ao AWP (Advanced Work Packaging) e à integração de cronogramas com modelos BIM.
Tudo isso nos deu uma capacidade muito maior de definir sequências construtivas, entender restrições e transmitir aos cronogramas uma visão mais real da complexidade e do dinamismo das obras.
Em teoria, era de se esperar que nossos projetos fossem entregues dentro do prazo. (Ou que o atraso não fosse o resultado comum em projetos de engenharia e construção).
Mas… sabemos que não é bem assim, não é?
Apesar de toda essa evolução de técnicas, ferramentas e tecnologias, os atrasos continuam sendo a regra.
Afinal, o que está dando errado?
Será que estamos conseguindo usar as boas práticas ou essas práticas são imprecisas e insuficientes para os nossos desafios?
Pensando nisso, eu fiz uma enquete nos meus grupos de WhatsApp com milhares de profissionais de projetos de capital e planejadores de diferentes setores.
E o resultado não foi muito animador: metade dos profissionais apontou que o maior desafio é lidar com prazos impostos pelo desejo do Negócio, e não pela realidade técnica.
Ou seja: não é a ferramenta que está falhando! É a forma como estamos tomando decisões, por desejos inexequíveis do Negócio ou dos nossos clientes.
Quando o “prazo do Negócio” atropela o “prazo do projeto”
Quando questões de negócio se sobrepõem à boa prática, normalmente isso acontece no sentido de se estabelecer prazos e custos mais agressivos. O problema é que os projetos não costumam aceitar redução de prazo na marra – existem limitações físicas!
As tarefas têm seu nível de complexidade, seus requisitos, limitações de produtividade e de mão de obra e, ao não ser que o projeto seja repensado, a metodologia construtiva seja revista, e as condições de canteiro sejam estabelecidas de uma forma diferente, é impossível acelerar um projeto de construção só pela vontade dos Executivos.
Só o aumento de esforço não é suficiente (atire a primeira pedra quem não encheu o cronograma de equipes e turnos para forçar uma redução nas durações!). Chegamos ao ponto onde temos limitações físicas no canteiro.
Precisamos repensar a interface com o Negócio
Antes de falarmos em boas práticas, novas ferramentas e treinamento das equipes de planejamento, precisamos repensar nossa interface com o negócio, aumentando a percepção da importância da técnica.
De nada adianta fazer um Business Case considerando prazos artificialmente curtos se depois na prática não consigo entregá-los. O resultado para o Negócio vai ser muito pior: o atraso vai se concretizar de qualquer forma – mas fora do radar inicial dos aprovadores do projeto.
Além disso, temos outras consequências da pressão do prazo, como:
- o aumento do número de acidentes, inclusive fatais, como já foi comprovado estatisticamente,
- problemas de qualidade em projetos artificialmente acelerados, que comprometem a durabilidade do ativo,
- nível dos pleitos e discussões contratuais, principalmente em contratos por preço fechado, que acabam escalando na forma de aditivos contratuais e conflitos.
Ao final nós temos um ativo de baixa qualidade, que levou mais tempo da mesma forma, que custou (muito) mais caro, que gerou também mais conflitos e problemas entre as partes envolvidas. Isso explica o fato de tantos ativos novos nunca atingirem seus patamares projetados de capacidade.
Ao buscarmos metas impossíveis de curto prazo, destruímos o valor de longo prazo!
E você?
📌 Você vive essa realidade de imposição de prazos no seu projeto? Quais exemplos podem compartilhar? 📌 Já conseguiu convencer o negócio a não seguir com um cronograma agressivo? 📌 Quais argumentos ou técnicas de negociação funcionaram para você?
Deixe seu comentário. Ele pode inspirar uma nova discussão e ajudar outros profissionais que enfrentam o mesmo desafio.
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Até a próxima News!



